Entre outras, "O" Hospital Psiquiátrico
Essa quarta feira passei por algo totalmente novo para mim. Sim, o Mackenzie nos levou ao Hospital Psiquiátrico. Experiência totalmente nova, cheia de energia, até chegarmos lá. O que eu posso dizer? Que bateu uma puta de uma tristeza na hora em que eu dei meu primeiro passo para dentro. Que saí de lá como se tivesse carregado 10, 20, 30 quilos nas costas??? Estranho... Não sei o que dizer... As palavras fogem, desaparecem... Parece que faltam nas horas em que mais se precisam delas... O pior é que é sempre assim. Até lá, as palavras fugiam. Não sei explicar, mas todos se sentiram assim, com diferenças de intensidade, mas todos se sentiram aliviados na hora de sair. Pessoas que não possuem a mínima consciência em estarem lá. Ou que sabem, mas sabem que não sairão tão cedo. Não é fácil... Mas tb, ngm disse que seria... Não sei o que dizer agora tb... As palavras fogem até para escrever. Antes de quarta tinha certezas em minha vida, agora tenho mais algumas dúvidas. Muitas várias dúvidas diga-se de passagem. Tem uma época de nossa adolescência que queremos desvendar o mundo. Ir contra tudo o que existe, dar uma de revolucionário, escolher a profissão como sendo um instrumento de mudanças. Isso é perfeitamente normal. Mas depois passa. E vc começa a crescer, a amadurecer. eu tinha comigo que fazendo PSicologia, poderia mudar o mundo, ou melhor, poderia mudar as pessoas que estão nele, fazê-lo um lugar melhor. Mas o problema é que cada um, sozinho, é um ser insignificante, pequeno demais, que não consegue realizar muitas coisas. Isso é frustrante. Saber que a pessoa PRECISA de ajuda e vc está incapacitado em oferecer o que ela tanto precisa. Pq vc não sabe o que ela precisa. Não faz a mínima da porra da idéia do que pode fazer para diminuir (Não acabar) o sofrimento dela. e isso frustra. Que vão todos à M%$#@ àqueles que acham que PSicologia se reume a ter um consultório e atender somente aqueles que pagam para tirar um pequena dúvida. Vão todos para aquele lugar... (foi mal aí...) Estava pensando nessa visita. Conheci as alass masculina e feminina (nessa ordem) até chegar na sala de entrevistas. Sim, pessoas gritando, chorando, jogadas nos cantos, quase todas sem a CS do que estavam fazendo lá... uma paciente pediu para que entrassemos em seu quarto para conhecer sua amiga de quarto (detalhe, o quarto estava vazio). O que fazer numa horas dessas? Sentar e chorar? (talvez ?!?!?!?) Que mundo é esse? Que lugar é esse que estamos vivendo? Como algo tão, mas TÃO distante da sociedade, do nosso tão perfeitinho e certinho mundimnho individualista, egoísta e tão cheio de coisas, pode existir? Sofrimento puro. Achgo que dá pra definir assim... Não, não estou sendo dramático demais. Não, tb não estou sendo exagerado demais.
faz pensar. As experiências dos outros fazem a gente pensar e vice-versa. Pensei muito. Demais na verdade. Pra variar. Analisei a minha vida e cheguei em uma conclusão: "Deixe isso pra quem tem um diploma e pode ajudar melhor". cansei de analisar, somente analisar. Quero agora é realizar. Se quero mudar algo, o mínimo que posso fazer é tentar. E eu estou tentando, espero que dê certo. tomara... Nas férias, pedi pra minha irmã ir em lugar comigo. As férias acabaram e eu não fui. Arreguei, acovardei, entenda como quiser. mas agora, parece que está na hora. Será? Aprendi que fazemos escolhas, e somente nós somos responsáveis pelas nossas escolhas, pela nossa vida. Ninguém mais é. Somos responsáveis pelas burradas e acertos que realizamos e (plaf) tapa na cara de muitos (inclusive eu), deixe de culpar os outros... Não me arrependo de ter ido ao Hospital. Até vai ser bom, pra minha formação, ter tido mínimas experiências em lugar desse. Mas que os pensamentos aparecem depois de pensar um pouco (e bem pouco mesmo) são cruéis. tristes.
Estou com 20 anos. Duas décadas de história. Será que tem tanta história assim? Às vezes, dá pra se perguntar... O que será que eu fiz para tentar mudar? as pessoas, as casas, os objetos, o mundo? será que eu tentei certo? Pelo jeito, e pelas coisas, e pelas pessoas, e pelo mundo, acho que não...

Escrito por Caco às 18h50
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